Daraca, Renato, Beto, Barbara e Vera chegando à ilha de Anhatomirim * foto sandra alves
A Usina da Alegria Planetária é um coletivo de artistas, responsável pela Direção de Arte do longa-metragem RENDAS NO AR. E pela qualidade da parceria estabelecida, é também produtora associada à Vagaluzes para realização do filme.
A equipe plural da Usina da Alegria Planetária, em total sintonia com a Vagaluzes Filmes, está criando em uníssono a arte do filme. Renato Rebouças e Vivianne Kiritani são arquitetos e cenógrafos, Kabila Aruanda, artista plástico e figurinista; Beto Guilger, artista plástico; Giselle Peixe, museóloga; Angélica Figuera, pesquisadora; Nelson Plus, produtor e Vanderlei Aruanda, administrador.
Os profissionais compartilham saberes na criação e produção. Durante a primeira visita técnica à Ilha de Santa Catarina a equipe de arte pesquisou objetos em igrejas, escolas, museus e antiquários da cidade, para levantamento e constituição imagética dos cenários, além de estabelecer contatos para posterior atuação da equipe de produção. Está também em andamento uma campanha, de âmbito nacional, para coleta de objetos e materiais têxteis antigos que poderão ser ressignificados e utilizados no filme.
FORTALEZA DE SANTA CRUZ, ILHA DE ANHATOMIRIM * foto sandra alves
A equipe do filme RENDAS NO AR prepara ainda um memorial descritivo dos espaços cenográficos da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, que será utilizada como locação do longa-metragem, detalhando as formas de uso dos espaços e os procedimentos para que o patrimônio histórico seja preservado e não sofra nenhuma alteração permanente. O documento será entregue ao Projeto Fortalezas, da Universidade Federal de Santa Catarina, que é responsável pela preservação e administração do Patrimônio. A UFSC já apóia o filme e aguarda as informações para formalização da parceria.
Durante visita técnica à Ilha de Anhatomirim, dia 10 de fevereiro, os diretores de arte Renato Bolelli Rebouças e Beto Guilger, junto com a diretora do filme Sandra Alves, a produtora executiva Vera Longo, a diretora de fotografia Andréa Scansani e a jornalista Barbara Pettres, colheram informações e fotografaram detalhes dos espaços para contribuir com a clareza e precisão do memorial descritivo. A ocasião foi também um encontro da equipe com a força e o potencial dramático do ambiente que inspirou a concepção do filme. O contato direto com a arquitetura e as memórias impressas em suas texturas trouxe mais elementos para a criação dos cenários e figurinos.
Renato é ganhador do Prêmio Shell de Melhor Cenografia e o Prêmio de Melhor Projeto Visual da Cooperativa Paulista de Teatro de SP pelo espetáculo Arrufos. Beto durante anos deu aulas de pintura a pessoas portadoras de deficiência visual. Os dois falam do seu processo criativo e dos desafios de produzir ambientes e figurinos para a história de Rendas no Ar, num local como a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, que por si só tem beleza arquitetônica e força cenográfica.
Reaproveitamento
Renato: A proposta é construir novas linguagens, reaproveitar materiais que carregam uma memória própria. É um trabalho mais complexo, investigativo, mas aciona o potencial criativo de quem faz e de quem vê. É uma importante premissa de trabalho da Usina da Alegria Planetária, que vem de encontro ao projeto da Vagaluzes Filmes.
Renato Bolelli Rebouças, arquiteto e cenógrafo * foto sandra alves
Beto: Muitas vezes um cenário é produzido para durar um dia, tudo é comprado novo e depois pode ser jogado fora. Nossa proposta é oposta. Uma cadeira quebrada pode ganhar um pé novo, uma porta de armário reaproveitada pode ser a frente de um móvel. No figurino, Kabila já está produzindo peças coringa que podem ser montadas em várias roupas. Peitorais, mangas sobressaias, peças-base que se transformam em outras possibilidades. Economizar materiais gasta menos insumos, otimiza o orçamento. É preciso pensar em cada situação, às vezes reaproveitar uma coisa que existe tem um custo mais alto do que produzir o novo, porém objetos com história, vivência, que sofreram a ação do tempo têm mais força cenográfica. No projeto Árvore da Vida, para o SESC Pinheiros/SP, aproveitamos pregos usados, sobras de tinta, investigamos as possibilidades dos materiais que já existiam.
Beto Guilger, artista plástico * foto sandra alves
Desafios
Beto: A Fortaleza de Anhatomirim fornece muitos elementos para compor os personagens e espaços. É um desafio para a cenografia não maquiar a veracidade desses lugares. Um exercício de síntese, de logística, de levar só o necessário, de recortar o olhar, sem sobrepor muitos elementos.
Renato: O lugar desperta estímulos de criação muito fortes. O contato com o espaço real da locação te lança para a criação. É um desafio entre o que existe e o que precisa ser criado, numa história com poucos personagens, e personagens fortes. Como não se trata de uma reconstrução fiel da época, isso proporciona mais liberdade para criar.
Casa da ilha *foto sandra alves